
Comparado ao que Lydia fez nos The Regrettes, existe uma boa diferença. A banda sempre foi coletiva mesmo tendo Lydia como representante principal, com um pé no passado e no espírito do punk de garagem riot grrrl evoluindo até ao sofisticado synthpop. Mas em Parody of Pleasure, a obra é fielmente individualista e contemporânea, traz todas as influências sonoras de toda uma carreira, mas acaba sendo sobre a persona Lydia Night com suas fantasias e seus sentimentos. É um registro que equilibra humor e dor, vulnerabilidade e poder, e ela se diverte com isso.
Lydia abre o disco com sarcasmo. A Pity Party é aquela situação em que todos parecem reunir-se em torno da sua dor, mas não de forma genuína, enquanto ela apresenta monólogo honesto e desconfortável, misturando ironia e confissão, e é de onde vem o título do álbum, dito em um dos versos da faixa.
Dentro do álbum, muitas músicas se conversam, que é o caso de The Hearse e The Bomb, Lydia não parece interessada em narrativas comuns de romance, o amor é uma mistura de adrenalina, drama e espetáculo, e a surpresa é que no fim ela não saiu ilesa, muito menos no controle como ela planejava. E ela termina literalmente dizendo “Adivinha? Arte é uma merda! Mas é a única coisa que me mantém viva”. E é sobre isso, né?
Me impactou tanto que digo desde já: esse é o álbum do ano!